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domingo, 14 de março de 2010

Ideias de alguns filosofos sobre ética texto 2

Dicionário de Filosofia de Mario Ferreira dos Santos


Ética


A palavra ética é derivada da grega ethos, que significa costume. Mas é com Aristóteles que passa a ser a ciência do moral. O moral, na ética, é tanto o moralmente bom, como o moralmente mau.
Quanto à essência do moral, e segundo as suas respostas, podemos dividir a ética em ética formal e ética material. Kant é o representante da ética formal. Afirmou que não se podia definir a moral, fundando-se apenas na experiência. É necessário um juízo de validez universal para afirmarmos que isso é bom ou mau. Nem o bom, nem o mau têm nada a ver com o agradável e o desagradável, porque o agradável pode ser moralmente mau e o desagradável moralmente bom. A experiência só pode proporcionar contingências e probabilidades. O moral, para ser independente da experiência, tem que ser dado a priori. Há de haver, portanto, uma lei moral que seja válida em qualquer circunstância. A. vida prática do homem é regulada por toda uma classe de princípios e leis, as máximas, as opiniões, etc. Essas leis são objetivamente válidas, são imperativas.
Kant divide os imperativos em duas espécies: imperativos hipotéticos, quando são válidos em certas suposições, e imperativos categóricos, que valem sem condições.
Como exemplo do primeiro, temos a cortesia para agradar os outros, e do segundo, o «não furtarás».
Todas as leis morais são imperativos categóricos, os quais residem em principios aprioristicos. Portanto, a lei moral só pode dizer: “Obra de tal modo, que a máxima de tua vontade possa valer sempre em qualquer tempo como um principio universal”. Tôda a critica feita ao a priori de Kant recai predominantemente sobre a sua concepção do moral.
A ética material pode ser considerada como ética dos bens e ética dos valores.
A ética dos bens é aquela que torna a moral dependente dos bens reais, que são objetos de estimação do homem, ou dos bens ideais, que são objetos finais de sua estimação ou aspiração. Bom, portanto, é tudo quanto permite ou auxilia o alcance desses bens ou fins.
Tais são o prazer, a felicidade, a utilidade, a cultura, o fortalecimento da vida, etc.
As principais correntes da ética dos bens são: o hedonismo (de hedonai, palavra grega, que significa «eu me deleito»), que torna o moral dependente do prazer sensível. Os cirenaicos defenderam essa doutrina que, esporàdicamente, surge na obra de alguns autores materialistas.
O eudemonismo (de eudaimonia, que significa felicidade) tem como fim a felicidade espiritual, o estado de contentamento da alma. Foi essa doutrina defendida por Sócrates.
O utilltarismo é a doutrina que defende a moral pela utilidade ou bem-estar do individuo ou da coletividade.
O perfeccionismo afirma que o moral está na plena realização da essência humana, na perfeita condução, segundo a natureza racional do homem. Era essa a opinião de Aristóteles.
O naturalismo prega o pleno desenvolvimento de todas as inclinações e impulsos da natureza humana, como fato de moralidade.
O evolucionismo afirma que o progresso da humanidade é o fim determinante da moralidade.
A ética religiosa afirma que a moralidade está na conformidade com a vontade de Deus, e o mal é rebelar-se contra essa vontade.
Outra divisão, que se pode fazer sobre a ética dos bens, consiste em fundá-la no destino que se dê aos bens ou fins a que se aspira: se tendem para o individuo temos o individualismo, se para a comunidade, temos o universalismo. O individualismo é egoísmo, quando o que atua quer ser útil a si mesmo; é altruísmo, quando quer favorecer a outros. Por isso, pode haver um individualismo altruísta, quando se destinam aos indivíduos da coletividade os bens ou fins desejados.
Critica-se a ética dos bens, em todas as suas tendências, porque não explica a moral, por já a aceitar previamente como dada.
Quanto à ética dos valores, esta está ainda em seus primórdios, apesar de já haver uma bibliografia extraordinàriamente vasta, e estudos notáveis como os de Scheler, Nicolai Hartmann, etc.
Os defensores desta corrente afirmam que uma ação não pode ser nem boa nem má. Uma ação é um processo psíquico ou psicológico, que se dá num lugar e no tempo. A ação transcorre; é simplesmente. E nesse ser está toda a sua realidade. É apenas uma simples existência que, passada, não deixa mais rasto. É acaso verdadeiro ou falso o curso da corrente de um rio? E o vento que sopra, é verdadeiro ou falso? Estes processos simplesmente são. A própria vontade é constituída, dizem, por processos apenas, e nada mais. Não são bons nem maus, como tampouco podem ser verdadeiros ou falsos... O que há de bom ou de mau são os valores, e os valores não são, valem. E é desses valores que tais ações são dependentes para que, em sentido translatício, possam ser chamadas de boas ou más. Os valores éticos não são pensamentos, porque os pensamentos são verdadeiros ou falsos.
A um valor positivo antepõe-se sempre um valor negativo, que lhe corresponde. Só os valores podem ser bons ou maus.
Um pensamento não é bom nem mau. E quando se diz isso em linguagem comum, faz-se em sentido translatício, porque ser bom ou ser mau cabe só aos valores. Nisso está a forma de realidade dos mesmos.
A ética dos valores é uma nova corrente do pensamento que ainda não deu seus melhores frutos.
Quanto à origem da força obrigatória dos preceitos morais, podemos dividir, sob este angulo, a ética, em ética heterônoma e ética autônoma. A heterônoma afirma que o fundamento da obrigação moral vem de uma lei estranha ao individuo. Segundo ela, a vontade se submete a uma vontade superior, vinda de Deus ou do Estado, etc. A autônoma aceita leis próprias e afirma que ela deve vir do próprio cumprimento da ação moral. Esta é a defendida pela maioria dos éticos.
Quanto a origem, pode dividir-se a ética em ética apriorística, que a afirma independentemente da experiência (a de Kant, por exemplo) e ética empírica, que afirma provir o moral da experiência. Entre os primeiros temos Sócrates, Kant, Platão, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Leibnitz, etc. Entre os que defendem a segunda posição, temos Spencer, Darwin, Morgan, Luboock, Bastian, e muitos outros. Uma terceira escola, não examinada pelos éticos, é a da ética imanente, defendida por Proudhon, e que foi completada por Kropotkine. Para Proudhon. a ética é imanente a todo o humano, e há principias fundamentais de ordem intrínseca em todas as coisas, atos, processos do homem. Kropotkine quis fundar uma ética biológica, em base no apoio-mútuo. Os animais bissexuados necessitam apoiar-se uns nos outros. O homem não pode viver isolado, e necessita de seus semelhantes. Toda a vida em comum é uma vida de apoio-mútuo, em que uns têm de apoiar-se nos outros por uma necessidade biológica.
Por isso, tudo quanto fortaleça esse apoio, a união entre os homens, o fortalecimento do individuo, sempre em beneficio da coletividade, é moral.
A moral está fundada, assim, na própria biologia. O homem, com suas idéias, nada mais faz do que concretizar, no mundo do espírito, o que é ensinado pela sua natureza biológica.
A Ética, como ciência concreta, é por nós mostrada em nosso “Sociologia Fundamental e Ética Fundamental”.
Critica: Os homens mantêm relações entre si. E as discipli nas, que estudam essas relações, as normas que as orientam, os usos e costumes dos diversos povos (ethos, em grego, e mor, moris, em latim) são a Ética e a Moral. Muitas vezes confundidas, uma com a outra, merecem, no entanto, que as distingamos. A Moral tem um campo mais amplo, pois estuda, descritivamente, os diversos costumes estabelecidos entre os povos, através das eras, suas variações, transformações, modificações. Tomando como objeto esses costumes, que são os mores, é construída a Ética, como disciplina especifica, a qual procura o nexo que os liga, os princípios que os regem, os meios que utiliza e os fins a que se destinam. Assim a Ética é a ciência da Moral. Hegel distingue a moralidade subjetiva (Moralitat) e a moral objectiva (Sittlichkeit). Referia-se a primeira ao cumprimento do dever pela vontade, e a segunda, à fixação das normas, leis e costumes, ao espírito objetivo na forma da moralidade. A Ética é a ciência que engloba, como objeto, esses costumes, e os correlaciona com o corpo da Filosofia Geral.
Em face das variações que se observam nos costumes, que são diferentes segundo os diferentes agrupamentos, no tempo e no espaço, e segundo até a estrutura social, é óbvio que surgisse, para os estudiosos de tema tão vasto, uma primeira pergunta: há, na moral, regras invariantes, constantes, ou apenas variáveis? Essa pergunta, se respondida positivamente, provocaria logo outra: se há regras invariantes, quem as estabeleceu, e como? Se não há, são apenas produtos de convenções humanas? E logo surgem outras perguntas, tais como: quem estabelece essas normas? São impostas ou livremente aceitas? Para que tende a Moral? Qual a sua finalidade? Que orienta, que dirige o homem na aceitação de normas que regularizam as relações humanas?
Tais perguntas já nos mostram, suficientemente, quão grande é o campo de atividade dos estudos éticos. E cercando essas perguntas, poderia ainda surgir essa nova pergunta: que valor tem para nosso estudo o conhecimento da Ética?
Iniciando a responde-las, começariamos pelo fim. Não há agrupamento humano que não tenha normas que regulem suas relações. Ora, se observarmos bem o homem, sabemos que ele se distingue dos animais por ter espírito, e impregnar com o seu espírito os bens que ele cria, capta ou domina. Os animais não têm moral. São amorais, porque não tomam uma atitude contra o moral, nem a favor deste. Os animais vivem, movimentam-se, convivem entre si, seguindo seus instintos, conservando suas relações. Salvo casos excepcionais de degenerescência, cumprem fielmente as condições da espécie à qual pertencem. Só o homem pode ser moral ou anti-moral. E Isso por quê? Porque o homem escolhe, pensa, julga, compara, medita, induz, deduz, frustra.
O homem tem normas que variam através dos tempos, normas que regulam suas relações. Os que atualizam apenas essa variabilidade das normas concluem que a moral é relativa, porque a daqui não é a dali. Portanto, a moral não pode constituir-se numa ciência, mas apenas permanecer no terreno do descritivo. Mas, em face dessa situação, podemos desde logo estabelecer que a Ética pode ser visualizada de duas formas:
Ética invariante: aceita normas constantes, independentes das condições históricas, geográficas, étnicas, etc.;
Ética variante: aceita que os costumes variam, segundo variem as condições gerais.
Colocando o problema da Ética neste pé, logo se torna fácil ver que as perguntas surgem exigentes. Se há um invariante, e o homem o percebeu, o notou, o visualizou, deve ter sido ele estabelecido por alguém. Tomam, aqui, alguns éticos a posição transcendentalista, os quais afirmam que uma divindade, um deus, estabeleceu as normas sob cuja obediência deveriam viver os homens, sob pena de ofenderem essa mesma divindade; portanto, pecarem. Temos aqui a posição religiosa, que aceita ter dado Deus ao homem suas leis morais, concrecionadas nos dez mandamentos, que são a síntese dos princípios éticos. Desta forma a ética não é estabelecida pelo homem, mas por Deus. Quando a moral é estabelecida por outrem, diz-se que ela é heterônoma (de heteros, outro, em grego, e nomos, norma, lei, regra).
Assim a norma moral tem sua origem em outro que a impõe. Quando a moral é estabeleclda pelos próprios agentes que a praticam, temos a moral autônoma (de autos, si mesmo). Dessa forma, a moral seria heterônoma. Mas poderia, em casos especiais, Isto é, na formação de comunidades específicas, ser estabelecida autônomamente, mas sempre obedecendo às normas dadas heterônomamente.
Mas outros pensam de modo diferente. Nenhuma divindade estabeleceu normas para as relações humanas. Estas nascem de convenções, de hábitos, transformados em leis morais, depois de devidamente estabelecidos, fundados e consagrados pela prática. Negam esses a origem transcendental da moral. Ela é de origem humana, cheia dos defeitos e das fraquezas naturais do homem.
Desta forma, aquele imperativo categórico de validez universal, que buscam todos os que defendem uma posição invariante na Ética, ou em outras palavras, os que buscam um principio universalmente válido invariante, aceito por todos os povos, em todas as eras e condições, nem todos admitem que os invariantes na moral sejam todos transcendentalistas. Há uma outra posição, que é a dos imanentistas. Os imanentistas afirmam que as normas morais, as quais os homens obedecem em suas relações, têm sua origem fundamental na própria estrutura social criada.
Já vimos que cada agrupamento social forma uma estrutura e essa estrutura é mais sólida, ou não. Forma uma tensão, que é mais coerente ou não. Essa tensão exige dos elementos que a compõem, para formar sua coerência, um respeito a certas normas ou até certas atitudes, sob pena de ser rompida. Digamos que um grupo de caçadores reúne-se para caçar. É natural, é intrínseco ao bom êxito da caçada, que cada um trabalhe em benefício do fim almejado. Se um caçador espantar a caça prejudicaria aos outros e até a si mesmo. Logo se vê que, numa caçada em conjunto, é imanente a ela a necessidade da obediência a certas regras, sob pena de não alcançar o fim desejado.
Cada estrutura, que se forma, tem a sua moral, tem a sua norma ética, e estas serão tantas quantas as variadas composições estruturais. Vê-se, fàcilmente, que em todas as eras, independentemente das classes e das condições sociais, os homens obedecem a um número determinado de princípios, que se repetem invariàvelmente em todos os povos. Vejamos alguns: nenhuma mãe, salvo os casos teratológicos, deixa de dar assistência ao filho; e é moral fazê-lo. Em todas as coletividades, todo ato, que ponha em risco a mesma, é punido, porque é considerado imoral.
Essas normas são invariantes. E poderíamos dizer: toda tensão formada, à proporção que for mais forte em sua estrutura, considerará como intensivamente imoral todo o ato que perturbe a sua conservação. Os elementos, que formam uma fraca estrutura, uma tensão frágil, como a de um grupo, que se reúne em torno de um “camelô”, que apregoa as vantagens das bugigangas que oferece, tensão passageira, transeunte, rápida e não perdurável, considerará imoral o ato daquele que perturbe essa tensão, e não permita que se ouçam as palavras do “camelô”. Mas como é uma tensão fraca, essa indignação ao perturbador também será fraca. Mas se for uma tensão já formada numa sala de projeção de um cinema, quem a perturbe será repelido, já com maior indignação. E se estivermos numa igreja, durante uma missa, em que se congregam pessoas que devem, pelo menos, crer piamente na sua religião e no seu culto, a indignação crescerá contra quem perturbar a tensão formada.
É fácil dai, por graus, chegar até à indignação que provocaria quem matasse um membro de uma coletividade, e esta necessita manter suas forças para defender-se dos adversários, pois verifica-se que a tensão aumenta na proporção também da tensão contrária que a ameaça.
Assim se vê que os defensores de uma ética imanente têm suas bases bem sólidas. Quem sobretudo estudou essa ética imanente, e a defendeu, foi Proudhon, seguido, posteriormente, por Nietszche, em certos aspectos, e por
Kropotkine. É a ética imanente o fundamento das doutrinas libertárias, que aceitam a possibilidade de uma ordem natural entre os homens, fundada nas tensões que formam, e que procuram conservar-se, porque, na realidade, toda a ética está fundada nelas e nos interesses por elas criados.
Portanto, se a sociedade for organizada sob bases simples e naturais, formará, naturalmente, sua ética, não como uma necessidade apenas, mas porque o homem sabe descobrir o que lhe convém para ordenar as suas relações, porque sabe escolher. Por isso os homens, quando se reúnem para um fim comum, logo sabem deduzir de sua organização as regras e princípios justos (ajustados), que permitam conquistar, da melhor forma, o fim a que visam, como se vê na formação das sociedades de qualquer espécie, através dos princípios fundamentais de suas normas estatutárias.
Nas épocas de religiosidade, a ética é quase sempre de fundo religioso; portanto, transcendente. Nesse caso, os princípios éticos são julgados como impostos pela divindade para que os homens se dirijam, e todo atentado aos mesmos é uma afronta à própria divindade.
Essas normas não são facultativas, isto é, podem ser indiferentemente cumpridas ou não. Ao contrário, são imperativos categóricos e não podem ser desobedecidos.
Caracteriza, assim, o ato ético, o ato frustrável pelo homem, quando implique ele o respeito ou não a valores correspondentes à conveniência da natureza de uma coisa, ao seu bem (o seu direito). O ato anti-ético é o que ofende a esse direito, ou a norma instituída, fundada na conveniência de algo ou alguém. É da essência do ato ético a frustrabilidade.
ÉTICA (História da) - Vamos encontrar os estudos éticos desde a mais longínqua antiguidade. Entre os chineses, verificamos que o pensamento de Lao-Tse, de Confúcio e de Mêncius (Kon-Fu-Tsê, Meng-Tsê) é predominantemente ético, sobretudo o dos últimos, pois, no primeiro, no Livro do Tao, encontramos afirmações de tal ordem que revelam a precedência de uma longa especulação, esotericamente conduzida.
Contudo, não se vê nos livros chineses uma especulação em torno de temas éticos, à semelhança do que se observa no pensamento grego e no ocidental.
Na obra dos hindus, caldeus, egípcios, etc., também se observa a presença constante de máximas éticas. Mas a sistematização dos estudos sobre essa disciplina, cabe, propriamente, pelo menos em sentido exotérico, aos gregos.
É com os gregos que se estruturaram• sistemas éticos, expostos filosoficamente. Entre as manifestações mais notáveis, que influem no pensamento ocidental posterior, temos a salientar o hedonismo (de hedon, prazer) exposto por Aristipo Cirenaico (435-355), para o qual o bem supremo é a voluptuosidade, e, predominantemente, a corporal.
Há um hedonismo mitigado, o de Epicuro (epicurismo) (341-270), que afirma que também é a voluptuosidade o bem supremo. Mas, como há uma escala de valores na voluptuosidade, há também a presença dos valores intelectuais.
Com Antístenes e Diógenes Sinopense (414-324), a virtude tende apenas para o bem; e para a conquista da felicidade, basta a virtude. Convém não esquecer que o termo cínico tomou, posteriormente, um sentido pejorativo, pela hipocrisia manifestada por alguns filósofos dessa escola, que, na verdade, não praticavam o que pregavam em palavras.
Com os estóicos, cuja figura maior é Zeno (342-270), seguido por Cleanto e Crisipo, a virtude está na congruência entre a vida e a razão. Não é suficiente o cumprimento exterior do ato virtuoso, mas, sobretudo, a purificação da intenção. Entre os estóicos sobrelevam-se as manifestações morais, e esplendem homens virtuosos, de um valor inestimável, que dão um testemunho vigoroso do valor dessa escola.
Conhecemos a ética pitagórica, através dos “Versos áureos”, de Lysis, atribuídos a Pitágoras. Os trabalhos especulativos dos pitagóricos da fase de Crótona permanecem esotéricos. Só os versos áureos foram dados ao conhecimento exotérico e, por essa razão, tratar dos fundamentos filosóficos da ética pitagórica exige outras providências e percorrer outras vias.
Com Sócrates (cuja origem pitagórica é hoje indiscutível), surge uma escola, que teve um papel extraordinário no desenvolvimento dos estudos éticos. Sócrates (470-399) expõe sua doutrina, que foi continuada por Platão (427-347) e, posteriormente, por seus seguidores.
O idealismo platônico (que na verdade é realista) estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores, analogadas à forma do Bem. A vida exige um exercício constante do homem para alcançar essa base superior, que consiste na imitação dos valores mais altos, ùnica via capaz de assegurar a felicidade.
Aristóteles (384-322), inegavelmente o maior sistematizador da filosofia grega, deu à Ética bases muito seguras. Sua obra grandiosa e imperecível é uma eterna sugestão para os mais profundos estudos em matéria de tal magnitude. Suas teses principais afirmam que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão, e que a virtude é o caminho dessa felicidade, e esta implica, fundamentalmente, a liberdade.
No pensamento latino, não encontramos uma nova sistematização, mas apenas seguem seus autores as diversas linhas traçadas pelas escolas gregas. Sobressaem entre estes Cicero (104-43), que é eclético, e os grandes estóicos, como Epicteto (50-120), Marco Aurélio (121-180) e Sêneca (2-65).
A influência cristã nos estudos éticos - Com o advento do cristianismo, podemos estabelecer dois períodos importantes dos estudos éticos. O primeiro, que é o da patrística, e segundo, o da escolástica (com suas fases: a medieval, a do renascimento e a restaurada, que é a moderna).
Entre os padres apologetas, não há propriamente uma sistematização dos estudos éticos. Fundados nos princípios estabelecidos pelo cristianismo expõem as suas opiniões, segundo a revelação dos livros sagrados. Podemos anotar os nomes de Origenes, Cipriano, Atenágoras, Crisóstomo, Basilio, etc. .I
Entre todos esse nomes, surge, como a maior figura desta época, Santo Agostinho (354-430), que já trata dos temas éticos com método filosófico.
No período escolástico, na fase medieval, o predomínio das idéias éticas de Aristóteles torna-se evidente. E o período das Summas e é neste que surgem os maiores pensadores da Igreja, como São Boaventura (1221-1274), São Tomás (1225-1274), Duns Scot (1270-1308),
Na fase renascentista, em que, seguindo os caminhos indicados pelos anteriores, processam-se agudíssimas análises, algumas caracterizando-se pelo excesso de sutileza, temos os nomes de Vitória, Soto, Bañez, Mastrius, Dupasquier, Molina, Lessius, Valência, Vasquez, Lugo, Fonseca e o grande Suarez (1548-1617). Os estudos alcançam aqui tais estágios, que a obra desses grandes autores é imortal.
No século XIX em diante, processa-se a terceira fase, a da escolástica restaurada, na qual vão surgir as tendências neotomistas, neo-escolásticas, em que os estudos sobre a “questão social” crescem de extensão e intensidade.
As contribuições da Filosofia moderna - Com o movimento protestante, foram agitados os problemas e os temas éticos, mas sob outras bases, distintas das empreendidas pelos filósofos escolásticos. Procuraram aqueles dar à Ética um fundamento não baseado na revelação, mas nos valores éticos, examinados e procurados de p'er si. Se os escolásticos afirman1 a temeridade de tais estudos e da postulação meramente axiológica, convém, contudo, que se tenha em mente, que tais pesquisas não põem em xeque os ideais éticos. E se alguns caíram em erro, veremos, contudo, no campo da filosofia pelo menos, que a investigação deve processar-se dentro do âmbito daquela. A revelação religiosa pertence à religião. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina, tão longe quanto lhe é possível alcançar.
Entre os protestantes, sobressaíram, por seus trabalhos, Bodin, Grotius, Pufendorf.
Entre os autores, independentes, podemos salientar os seguintes, anteriores a Kant: Hobbes (1588-1679), Spinoza (1632-1677), e, nos séculos XVII e XVIII, Shaftesbury (1671-1713), Reid (1710-1796), Helvetius (1715-1771) Holbach (1723-1789) Saint-Simon (1760-1825), etc.
Com Kant (1762-1814) são procurados novos fundamentos para a Ética, baseando ele os seus postulados, propriamente na razão prática; isto é, fundando-os na consciência humana, ao mesmo tempo que afirma sua indemonstrabilidade dentro da razão pura, da razão meramente integral.
Seguiram-se a Kant os trabalhos de. Fichte (1762-1819), Hegel (1770-1831), Schelling (1775-1854), Krause (1781-1832), Comte (1798-1857), Stuart Mill (1806-1873), Friedrich Paulsen (1846-1908), e ainda Herbart (1776- 1841), Schopenhauer (1788-1860), Spencer (1830-1903), Nietzsche (1844-1900) e, mais próximos a nós, Durkheim (18581917), Lévy-Bruhl (1857-1939).
Com Scheler (1874-1928), Müller, Ortega y Gasset, etc., penetra-se na ética axiológica (que a estuda do ângulo dos valores).
ÉTICA (Métodos da) - Vide Ética.
Vários métodos têm sido propostos através dos tempos, pelos que melhor se dedicaram ao estudo dos temas éticos.
Nos primórdios desses estudos, houve, naturalmente, tendência a confundir as normas éticas com as normas lógicas, o que não deixa de haver positividade, pois aquelas são, de certo modo, lógicas, como ainda mostraremos.
Há os que se colocam apenas no exame empírico dos fatos éticos, considerando-os como meramente históricos, como manifestações dos costumes humanos das normas estabelecidas para as relações humanas e a melhor convivência entre os indivíduos. Inegàvelmente, tal método tem seus aspectos positivos, pois a experiência é uma grande mestra das mais espontâneas manifestações éticas.
Há os que prescindem da experiência, da história até, como o procedem os rousseaunianos, que a fundam num direito natural puro, tomado da natureza humana abstratamente considerada. O prescindir da experiência é excluir uma positividade, como seria prescindir da lógica, mas afirmar um fundamento natural puro da ética não falece de positividade, como o fazem os rousseaunianos.
Há os racionalistas que aceitam apenas o fundamento na razão humana. Há, também, neles, uma positividade, mas ao rejeitarem outras, cometem um erro, pois ao afirmarem que só a razão humana é capaz de alcançar as normas éticas, negam uma razão transcendental, e até uma razão sobrenatural.
Esta é, por exemplo, a posição dos socialistas e dos totalitários, que chegam a afirmar que apenas atuam na formação das normas éticas, a razão natural ou razões históricas, de classe, de raça (racistas), de casta, de nação, de estirpe, como vemos nos estatolatras, nos adoradores do Estado político.
Se considerarmos a moral historicamente, há certa positividade nessas posições, verdadeiras enquanto atualizam certos aspectos positivos, mas falsas ao virtualizarem outras positividades que elas inibem e ocultam.
Para os tradicionalistas, a razão não é suficiente nem capaz para dar as normas sociais, que são transmitidas por revelação divina.
Para os historicistas é a história que cria as normas morais, pois é ela a fonte de todos os costumes.
Para os fideistas, a razão é impotente, e só a fé é capaz de nos indicar as normas morais.
Para os agnósticos, nada sabemos ao certo sobre as normas éticas; ou só sabemos o que nos é dado pela experiência, como o afirmam os positivistas.
Para os evolucionistas, tendo o homem alcançado um estado superior de inteligência e de vontade, a moral estabelece-se como um grau mais elevado dessa evolução natural do homem até alcançar a inteligência e o livre-arbítrio, a escolha livre e, desde então, é a vontade que preside ao desenvolvimento da evolução, buscando o homem alcançar o mais forte e o mais elevado, através do processo da própria inteligência e o da vontade.
Para outros, são as leis morais apenas variantes e mutáveis, como afirmam os cépticos e os sociologistas. A norma moral é captada do exame do caso concreto sociológico, e atende apenas aos interesses mais ou menos explícitos do grupo social em que são instituídas.
Não é difícil perceber-se que há em todas essas doutrinas aspectos positivos.
A posição empírico-especulativa é a mais consentânea com o exame do fato ético, pois partindo da observação dos fatos, através da especulação, procura alcançar os princípios gerais que explicam aqueles fatos.
ÉTICA E MORAL - A distinção entre Ética e Moral se impõe por diversos motivos e razões. Se os termos mos, em latim, e ethos, em grego, serviram para nomear duas disciplinas, estas se distinguem, embora a segunda se subordine ontologicamente à primeira.
Se a filosofia clássica não distinguia propriamente a Ética da Moral, pois ambos termos eram usados sinonimicamente, é preciso considerar que, após o advento das idéias modernas, e das diversas posições tomadas ante essas disciplinas, há necessidade de distingui-las. Pois, enquanto a segunda se refere aos costumes estabelecidos entre os homens, a primeira dedica-se ao estudo das normas éticas invariantes. Para quem se coloca na posição que afirma não ter a Ética outra origem senão nos costumes humanos, para quem assume uma posição sociologista, empirista, positivista, pragmatista, etc. é válida apenas a Moral, e neste caso, a Ética é apenas aquela: a ciência dos costumes humanos, Para quem busca as raízes mais profundas dos nossos costumes, as leis invariantes que os regem, considera aqueles como símbolos das normas éticas, que são os simbolizados. Neste caso, a Ética já impõe uma via symbólica, pois é mister partir do que se dá na experiência humana para captar os logoi que analogam os costumes, Tais logoi serão as razões éticas superiores, cujas busca cabe propriamente ao etólogo.

Fonte: http://www.tirodeletra.com.br/ensaios/Dicionario-etica.htm

Ideias de alguns filosofos sobre ética texto 1

Ética e moral
Uma reflexão sobre a ética e os padrões de moralidade ocidental

Sumário

1. A moralidade enquanto objeto da ética
2. A moral aristocrática
3. A moral utilitarista
4. A moral kantiana


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1. A moralidade enquanto objeto da ética

Gosto não se discute. Correntemente essa frase é utilizada quando se quer estabelecer a idéia de que gosto é algo radicalmente subjetivo e imutável. Ora, a imensa variedade de sujeitos com preferências e opiniões distintas entre si e o fato de um mesmo sujeito mudar de preferências e opiniões fazem prova de que a complexa estrutura psíquica humana é capaz de aprender e de modificar o que se aprendeu. Subjetividade não combina com imutabilidade, logo a frase em questão é contraditória.

Diz-se também que personalidade vem da natureza. Quando atribuímos à natureza a existência de alguma coisa, estamos simplesmente dizendo que esta coisa não foi criada pela cultura, nasce-se com ela. Não há necessidade de aprender o que é natural. O natural é inato. Essa coisa chamada personalidade é inerente à pessoa. Pessoa e personalidade vêm da mesma palavra: persona. Ninguém nasce pessoa. Ninguém refere-se a um bebê como "aquela pessoa" pois sabe-se que personalidade tem a ver com um sistema mais ou menos definido de gostos, preferências que se vai adquirindo com o tempo.

Embora as preferências e as condições que formam a personalidade sejam tão subjetivas e mutáveis, há uma constante que não podemos desprezar. É o princípio do prazer. Todo ser dotado de sensibilidade tem a propensão natural de afastar o que lhe está associado à dor e buscar o que lhe é prazeroso. O gato morde o homem que lhe pisa a cauda e o vegetal cresce em direção ao sol. Para o gato é bom que não lhe pisem na calda. Para a planta, é bom crescer em direção ao sol. O ser humano não foge a essa regra. O bebê humano é capaz de manifestar sua percepção de prazer e dor e essa capacidade não se perde com a idade. O que muda é a forma como se dá essa manifestação e o objeto do prazer ou o da dor que, por sua vez, dependem das circunstâncias. O que permanece imutável é o fato dos sujeitos estarem sempre buscando o que lhes parece bom, e afastando o que lhes parece mal. É sobre esses dois conceitos que trata a ética.

A ética é uma ciência comprometida com a busca aprofundada das relações entre o homem e os conceitos de bem e de mal. Trata-se de uma ciência da qual não podemos nos esquivar pois o bem e o mal, o certo e o errado, impregnam nossa conduta prática. Embora a grande maioria não pense no assunto, o comportamento humano é uma contínua resposta às questões éticas. É nesse ponto que nasce a distinção entre ética e moral.

O dicionarista e pensador Nicola Abbagnano (1901-1990) afirma que moral é "atinente à conduta" (1982: 652) enquanto a ética é "a ciência com vistas a dirigir e disciplinar a mesma conduta" (1982: 360). A moral seriam as regras práticas e a ética, o fundamento teórico da moral. Dizem-se moral aristotélica, moral kantiana para enfatizar os respectivos aspectos práticos; ética aristotélica, ética kantiana estariam mais relacionados aos seus aspectos teóricos. Alguns autores, entretanto, ressaltam que, embora haja uma infinidade de morais: moral cristã, moral judaica, moral platônica, moral kantiana etc, a ética seria uma só. É que, sendo esta uma ciência, trabalha apenas com conceitos universais.

Basicamente, são três os modelos de moralidade: aristocrático, utilitarista e kantiano.

2. A moral aristocrática

A moral aristocrática visa fazer com que o indivíduo se aproxime, cada vez mais, de um homem ideal e transcendente. Nesse sentido, são morais aristocráticas a moral judaica, baseada no modelo de homem de fé (Abraão), a moral cristã, no amor ao próximo (Jesus), a moral platônica, no ascetismo (filósofo-rei), a moral budista, na eliminação dos desejos (Buda). Mas, na maioria das vezes, esses modelos ideais são apenas descrições sem referências a nomes de personagens históricos. A moral aristocrática propõe que cada indivíduo seja dotado das virtudes adequadas (a palavra virtude vem de virtu, que significa força) para imitar o modelo ou um ideal de vida proposto. A felicidade plena é obtida quando o indivíduo realiza o ideal proposto. Quanto mais virtuoso for o indivíduo, maior o seu grau de felicidade.

Sócrates (470-399 a.C.) inventou o ideal cínico (palavra derivada de canino), cuja principal virtude é o desprezo às comodidades, às riquezas e às convenções sociais, enfim a tudo aquilo que afasta o homem da simplicidade natural de que dão exemplo os animais (no caso o cão). Cínico é aquele que vive o descaramento da vida canina. Relata-se que Sócrates caminhava nos mercados apenas para saber do que ele não precisava. Outros curiosos relatos envolvendo Diógenes, tais como o da "visita do imperador", "a mão e a cuia", "a lanterna" etc indicam que este teria sido o maior cínico da história.

Platão (428-348 a.C.) propôs o ideal asceta. A prática da ascese consiste em viver na contemplação do mundo das idéias ao tempo que se afasta de tudo o que é corpóreo. "É evidente que o trabalho do filósofo consiste em se ocupar mais particularmente que os demais homens em afastar sua alma do contato com o corpo" (Platão: Fédon, 65, a). O sábio educa-se para a morte, ou seja, para o dia em que sua alma separar-se-á definitivamente do corpo, migrando para o outro mundo.

Aristóteles (384-322 a.C.) definia o homem ideal como aquele que consegue pôr em prática tanto a sua animalidade natural como a sua sociabilidade natural, pois o homem é um animal social por natureza. "Mesmo quando não precisam da ajuda dos outros, os homens continuam desejando viver em sociedade." (Aristóteles. Política: III, 6). Reprimir a animalidade ou a sociabilidade distancia o homem da felicidade. Para encontrar um termo médio entre essas duas naturezas, o homem vale-se da razão.

Os estóicos são outro exemplo de moral aristocrática. No séc. IV a.C. Acredita-se que o nome estóico tenha sido inspirado no local onde Zenão de Cício (335-263 a.C.) ensinava: os pórticos (stoa, em grego). Costuma-se atribuir a razão do surgimento dessa doutrina ao fato da cidade de Atenas haver perdido sua independência para os macedônicos, prolongada depois pelo império romano. O estoicismo foi uma espécie de refúgio espiritual, uma via filosófica para se conseguir a independência em nível individual. Não obstante, o estoicismo atravessou séculos, sendo adotado pelos cristãos e até pelo imperador romano Marco Aurélio (121-180 d.C.). Segundo os estóicos, nenhum evento acontece por acaso (teoria da necessidade). Até mesmo o trajeto de uma folha que se desprende da árvore já foi milimetricamente traçado pelo Logos, princípio inteligente do cosmos. O ideal de sabedoria estóica é a completa apatia: indiferença-acomodação diante dos acontecimentos da vida, é o que revela Sêneca (4 a.C. 65 d.C.) um dos expoentes do estoicismo:

Toda a vida é uma escravidão. É preciso, pois, acostumar-se à sua condição, queixando-se o menos possivel e não deixando escapar nenhuma das vantagens que ela possa oferecer: nenhum destino é tão insuportável que uma alma razoável não encontre qualquer coisa para consolo. Vê-se freqüentemente um terreno diminuto prestar-se, graças ao talento do arquiteto, às mais diversas e incríveis aplicações, e um arranjo hábil torna habitável o menor canto. Para vencer os obstáculos, apela à razão: verás abrandar-se o que resistia, alargar-se o que era apertado e os fardos tornarem-se mais leves sobre os ombros que saberão suportá-los. (1973: 216)

Não se interprete indiferença por alienação: um sábio pode engajar-se na vida política até mesmo porque estava escrito. Nesse ponto, os povos muçulmanos parecem estar em franco acordo com a doutrina estóica pois regularmente repetem a expressão maktub (estava escrito), particípio passado do verbo catab (escrever). A virtude do sábio é o controle absoluto de suas emoções. Segundo sua parenética (termo que diz respeito aos aconselhamentos práticos), quando as circunstâncias tornam impossível o controle das emoções, é aconselhável a prática do suicídio.

Epicuro de Samos (341-270 a.C.) criou o modelo de sábio epicurista: o homem que pratica plenamente a virtude da ataraxia (despreocupação; ausência de aborrecimentos, de dores ou medos).

Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas nem a obtenção de cargos ou o poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-na a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito que se mantenha nos limites impostos pela natureza.

A ausência de perturbação e de dor são prazeres estáveis; por seu turno, o gozo e a alegria são prazeres de movimento, pela sua vivacidade. Quando dizemos, então, que o prazer é fim, não queremos referir-nos aos prazeres dos intemperantes ou aos produzidos pela sensualidade, como crêem certos ignorantes, que se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos do corpo e de perturbações da alma (Epicuro.1993: 25)

Efetivamente, a idéia de que os epicuristas pregavam a volúpia do corpo é falsa. Eles praticavam uma espécie de otimismo profilático que se aproxima muito do famoso "jogo do contente" da personagem Poliana. Eram iconoclastas em relação aos mitos sobre morte, religião e política. Isolados em jardins afastados das agitações da vida citadina, cultivavam a amizade (a prática de viver em seletos círculos de amigos era considerada condição fundamental na vida do sábio epicurista). O modus vivendi de Epicuro e seus discípulos foi chamado de aurea mediocritas (mediocridade dourada) por Horácio.

3. A moral utilitarista

A moral utilitarista caracteriza-se pela ausência do transcendente e de modelos a priori a ser imitados. Todas as ações devem ser medidas pelo bem maior para o maior número. Ao definir o utilitarismo, o filósofo irlandês Francis Hutcheson (1694-1746) assim se expressa: "a melhor ação é aquela que produz a maior felicidade ao maior número de pessoas." O utilitarismo é a moral dos números.

Nicolau Maquiavel (1469-1527), pensador italiano, tem sobre si a culpa de haver defendido que os fins justificam os meios embora, segundo o Dicionário de Filosofia de Abbagnano (1962: 614), tal máxima tenha origem jesuíta. A injustiça que recai sobre Maquiavel vem da dificuldade que se tem de separar o mero descrever e o opinar. Ele tinha horror a governos de ocasiões, golpes sucessivos, casuísmos, enfim à política do dia a dia que tanto permeava a agitada vida nos bastidores políticos de Florença. Em O Príncipe ele faz uma descrição em forma de aconselhamento, com base em seus conhecimentos de história, da conduta do governante que pretende permanecer no poder por um tempo relativamente longo, mas chega mesmo a confessar que, para atingir tal permanência, o ideal seria que as coisas não ocorressem da forma como a história demonstrara. Não obstante, a tradição nos legou o termo maquiavélico como designativo de um modelo que se firmou como um dos marcantes exemplos de moral utilitarista: a que visa um maior número de dias no poder.

Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, parte do princípio de que quanto menor for o número de invasões, mortes violentas e desapossamentos mútuos, mais feliz será a espécie humana. Esta condição só pode ser arranjada com a existência de um contrato social e de um Leviatã. Vamos explicar melhor: Para Hobbes, o homem é, naturalmente, o lobo do homem (homo homini lupus), ou seja, não é um ser naturalmente cordial e sociável, não está naturalmente aparelhado para sentir-se incomodado com a dor alheia quando sua sobrevivência está em jogo. "Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível ela ser gozada por ambos, eles se tornam inimigos." (Hobbes, 1651: 43). Relegados ao estado de natureza, os homens promovem uma guerra de todos contra todos (bellum omnium contra omnes), guerra inútil porque põe em risco a própria conservação humana. Os homens portanto perceberam e admitiram entre si a vantagem em cada um reprimir sua animalidade natural em prol de uma mútua convivência pacífica, bem mais útil, produtiva, confortável e segura. A civilização nasce desse contrato social. Essa nova situação, entretanto, só pode ser mantida com a existência de um Leviatã (monstro amedrontador e forte) que se expressa preferencialmente na figura de um rei, comandante autoritário e único que gera em todos o sentimento generalizado de medo da punição, garantindo assim a continuidade do Estado civil.

A base da moral utilitária de Hobbes sofreu inúmeras críticas, a principal partiu de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo suíço, que via na animalidade humana não lobos e sim cordeiros. Tais quais cordeiros livres, os homens, no estado de natureza, vivem em plena felicidade. Foi a civilização que fez com que muitos cordeiros se tornassem violentos e pensassem ser lobos. A soberania do Leviatã não é desejável porque além de retirar do homem a sua liberdade natural impossibilita a construção de uma liberdade civil, que só é possível quando a vontade geral é soberana. A conquista da liberdade civil estaria na reeducação por meio de leis "corderiais" que, metaforicamente, fizessem com que os cordeiros reconhecessem que são cordeiros.

Ainda a respeito da dicotomia lobo/cordeiro há outras observações curiosas. Para Frederich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão, a natureza produz homens-lobos e homens-cordeiros e não podemos ignorar que lobos estão aparelhados para devorar cordeiros. Quando só restarem lobos, as forças naturais produzirão superlobos que devorarão antigos lobos numa progressão infinita de vidas cada vez mais fortes. A moral nietzschiana é a da exuberância da força e do vitalismo das potências naturais ou superhumanas. É uma moral que pretende ir além do bem e do mal (se é que isso é possível). Nietzsche afirma que dicotomia entre bem e mal não passa de invencionice resultante do ressentimento e da fraqueza dos cordeiros. "Toda moral é [...] uma espécie de tirania contra a 'natureza' e também contra a 'razão'" (Nietzsche, 1886: 110)

Michel Foucault (1926-1984) diria que lobos e cordeiros habitam cada um de nós e ambos teriam desenvolvido estratégias de sobrevivência que tornariam extremamente complexa a luta entre os dois, uma complexidade tal que o cordeiro, em determinados momentos, poderia estar sob a condição de ataque. Nesse caso a questão moral só poderia ser definida dentro de um contexto muito específico onde se levariam em conta os sujeitos envolvidos, suas estratégias, suas relações de poder... Foucault é o criador da microética.

4. A moral kantiana

A moral kantiana é a concebida por Immanuel Kant (1724-1804), filósofo prussiano. Sua intuição principal foi que o indivíduo deve estar livre para agir "não em virtude de qualquer outro motivo prático ou de qualquer vantagem futura, mas em virtude da idéia de dignidade de um ser racional que não obedece a outra lei senão àquela que ele mesmo simultaneamente se dá" (Kant, 1785: 16). A ação moral exige a autonomia do agente. Ser autônomo é obedecer a si mesmo ou ao que vem de dentro. É o inverso do heterônomo (o que obedece ordem do outro, obedece ao que vem de fora). Não se pode falar em ética sem autonomia pois a ação heterônoma (cuja vontade vem de fora) não é uma ação ética. A moral aristocrática e a utilitarista não são eticamente válidas porque dependem de algo exterior: a primeira, de ideais transcendentes e a segunda, de ideais imanentes.

Para realizar a autonomia, a ação moral deve obedecer apenas ao imperativo categórico: o bom senso interior que todos nós temos de perceber que não somos instrumentos e sim agentes. Nunca instrumentalizar o homem é a exigência maior do imperativo categórico. Kant fornece uma regra para saber se uma decisão nossa obedece ou não ao imperativo categórico: indague a si mesmo se a razão que te faz agir de determinada maneira pode ser convertida em lei universal, válida para todos os homens. Se não puder, esta tua ação não é digna de um ser racional, não é eticamente boa porque falta-te a autonomia, estás agindo premido por circunstâncias exteriores a ti. O bem ético é um bem em si mesmo.

Ao realçar a exigência da autonomia da ação moral, Kant desperta a questão da liberdade ética. O conceito de liberdade ética parte da distinção entre ação reflexa e ação deliberada. A ação deliberada é aquela que resulta de uma decisão, de uma escolha, é o mesmo que ação autônoma. A ação reflexa é "instintiva", independe da vontade do agente. Apenas as ações deliberadas podem ser analisadas sob o ponto de vista ético. Voltemos ao exemplo do gato que morde o homem que lhe pisou a cauda. O gato tentou afastar o que lhe era um mal, mas não podemos dizer que ele escolheu morder o homem. Logo, não se pode dizer que o gato agiu de forma imoral ou antiética. A questão da liberdade ética pode ser assim resumida: Levando-se em conta que somos animais e ocasionalmente agimos de forma reflexa, em que condições nossa ação pode ser considerada uma ação deliberada?

Henri Bergson (1859-1941) e Jean-Paul Sartre (1905-1980) respondem a essa pergunta de forma radical: O livre-arbítrio é a qualidade que melhor define o homem. A própria condição humana exige que todo ato humano seja um ato de escolha, seja uma ação deliberada. O homem está condenado à liberdade porque nunca pode decidir não escolher. Diante da consciência de que nos vemos forçado a realizar algo por imposição exterior, passamos a ter liberdade de escolher entre entregar-se à ação ou ir de encontro a ela.

Fonte:http://ialexandria.sites.uol.com.br/textos/israel_textos/etica_e_moral.htm

Resumo história da filosofia texto 2

RESUMO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA - TEXTOS

PERÍODOS DA FILOSOFIA

IDADE ANTIGA

PERÍODO DA FILOSOFIA - 1º PRÉ-SOCRÁTICO ( SÉCULO VIII a.C. - V a.C.)

CONTEXTO HISTÓRICO
Os gregos fundam colônias espalhadas pelo Mediterrâneo (séc. VIII a.C.): Surgimento de um comércio ativo e de uma indústria próspera. A camada social envolvida nas atividades comerciais e industriais é responsável pela substituição da aristocracia pela democracia (séc. VI a.C.). Primeiros legisladores gregos: Dracon, Sólon e Clistenes. Fundação de Roma (séc. VI a.C.).

CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA NO PERÍODO
A filosofia se desenvolve inicialmente nas colônias gregas da jônia e do sul da Itália peninsular e Sicília. Predomínio do problema cosmológico: busca-se a arché, ou seja, o princípio de todas as coisas, a origem do universo. a physis (o elemento primordial eterno, ou seja, a natureza eterna e em perene transformação) torna-se o objetivo de pesquisa e indagação. os físicos da jônia, também chamados de “fisiólogos”, são os primeiros filósofos gregos que tentam explicar a natureza material e o princípio do mundo e de todas as coisas por meio dos seguintes elementos: água (Tales de Mileto); ar (Anaximenes); apeíron (Anaximandro); devir ou vir-a-ser (Heráclito); ser (Parmênides); ar, água, terra e fogo (Empédocles); Homeomerias (Anaxágoras); átomo (Demócrito); número (Pitágoras).

FILOSOFOS IMPORTANTES
Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaxímenes, Anaximandro.
Escola Pitágorica: Heráclito e a Escola eleática: Xenofantes, Parmênides, Zenão, Anaxágoras, Empédocles.
Escola atomista: Leucipo, Demócrito.

PERÍODO DA FILOSOFIA - 2º SOCRÁTICO: séculos V e IV a.C.

CONTEXTO HISTÓRICO
Guerras médicas (490, 480 a.C.). Em 405 a.C., Atenas é derrotada (Guerra do Peloponeso), mas a hegemonia espartana dura pouco (Tirania dos Trinta). Tebas conquista Esparta em 371 a.C., mas enfrenta a oposição de Felipe II, a Macedônia se fortalece. Em 338 a.C., Felipe derrota a liga Pan-helênica em Queronista. Alexandre Magno continua a política expansionista da Macedônia.

CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA NO PERÍODO
O advento do governo democrático em Atenas enseja a formação de cidadãos participativos transformar os habitantes da polis em políticos, indivíduos habilitados a tomar parte e decisões no processo democrático, por meio da paidéia (formação integral e harmônica do homem pela educação). Dessa forma, o centro de interesse se desloca da natureza para o homem. Predomínio do problema antropológico. Os filósofos elegem o ser humano como objeto de pesquisa. A Filosofia engloba um número crescente de problemas e se converte, sobretudo com Aristóteles, em um saber enciclopédico (abarca física, biologia, psicologia, metafísica, ética, política, poética, etc.).

FILÓSOFOS IMPORTANTES
Sofista: Protágoras, Pródico, Hipias, Górgias, Cálicles, Crítias, Trasímaco, Antifone, Sócrates, Platão, Aristóteles.

PERÍODO DA FILOSOFIA - 3º HELENISTICO: SÉCULO IV a.C. - V d.C.

CONTEXTO HISTÓRICO
Fusão da cultura grega com a oriental (Macedônia). Após a morte de Alexandre Magno em 323 a.C., desintegração do império: Ptolomeu (Egito, Arábia e Palestina): sucessores de Antígono (Macedônia e Grécia) e Seleuco (Síria, Mesopotâmia e Ásia Menor). O império Romano fundado em 100 a.C., se consolida. Guerras púnicas (Roma/Cartago). A Grécia e suas colônias passam a integrar o Império Romano (XXXI a.C.). Cristianismo (séc. I d.C.). Apogeu e crise do Império Romano (séc. II e III).

CARACTERÍSTICA DA FILOSOFIA NO PERÍODO
A filosofia transforma-se em um modo de vida: forte preocupação com a salvação e a felicidade, que passam a ser vistas com possíveis de alcançar de forma individual e subjetiva, por meio de conjuntos de regras morais. Predomínio da ética, q passa a execer a função desempenhada outrora pelos mitos religiosos (etapa helenísitica). Surgimento de pequenas escolas filosóficas. A filosofia perde seu vigor, tornando-se repetitiva e pouco criativa (etapa romana).

FILOSOFOS IMPORTANTES
Estoicismo: Zenão de Cicio, Cleanto de Assos, Crístipo de Solos, Sêneca, Epíteto, Marco Aurélio.
Epicurismo: Epicuro, Lucrécio.
Ecletismo: Cícero.
Neoplatonico: Plotino.

PERÍODO HISTÓRICO
4. Patrística: século I a V d.C.

CONTEXTO HISTÓRICO
Os cristãos são perseguidos por decretos de vários imperadores romanos e somente podem praticar livremente sua religião a partir de 313 (Édito de Milão). Em 395, o imperador Teodósio divide o Império Romano em dois: o do Oriente e o do Ocidente.

CARACTERÍSTICA DA FILOSOFIA
Encontro da filosofia grega com o cristianismo. Primeira elaboração dos conteúdos do cristianismo pelos Padres da Igreja, o que explica o nome patristica dado ao período. Nesse período, a questão central reside na necessidade de conciliação das exigências da razão humana com a revelação divina.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Santo Ireneu, Tertúliano, Justino, Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Nazianzo, Basílio Magno, Gregório de Nissa, Destaque: Santo Agostinho.



IDADE MÉDIA

PERÍODO DA FILOSOFIA
1. Patrística: século V a VIII

CONTEXTO HISTÓRICO
O Império Romano do Ocidente é invadido pelos bárbaros do norte da Europa, sucumbindo em 476. O Império Bizantino perdura até o fim da Idade Média (1453). Sob o governo de Justiniano é redigido o Corpus Júris Civilis (Corpo do Direito Civil), durante o século VI.

CARACTERÍSTICA DA FILOSOFIA
Na Idade Média, a Filosofia se separa da teologia, porém as duas mantêm relações, podendo-se afirmar que a Filosofia é um instrumento a serviço da teologia. O tema central é a tentativa de conciliar razão e fé. De maneira simplista, é possível dividir a Filosofia medieval em dois grandes períodos: a Filosofia Patrística e a Filosofia Escolástica. A Patrística precede e prepara a Escolástica medieval, e sua principal característica reside no seu caráter apologético: é preciso defender os ideais cristãos perante os pagãos e convertê-los. Presencia-se a retomada da Filosofia platônica, especialmente por Santo Agostinho, bem como do neoplatonismo.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Santo Agostinho. Boécio. Dionísio. Pseudo-Areopagita. Próspero. Cassiodoro. Máxmo, O Confessor. Isidoro. Beda. João Damasceno.

PERÍODO DA FILOSOFIA
2. Escolástica: século VIII a XV

CONTEXTO HISTÓRICO
Estabelecimento do Império Carolíngio (séc. VIII). Expansão da cultura árabe (invasão da Espanha em 711). Tratado de Verdun (843) e apogeu da cultura islâmica. Surgimento do feudalismo (sécs. IX–X), após o desaparecimento do Império Carolíngio. Início das Cruzadas (1095-1291) e Cisma do Oriente (séc. XI). Aparecimento das universidades (séc. XII). Declínio do feudalismo e formação das cidades livres (séc. XIII). Criação da Ordem dos Dominicanos e da Ordem de São Francisco. Guerra dos Cem Anos (franceses X ingleses) e Cisma do Ocidente (sécs. XIII e XV). Difusão do ensino científico nas universidades. Tomada de Constantinopla pelos turcos (1453).

CARACTERISTICA DA FILOSOFIA
O termo escolástica designa a Filosofia ministrada nas escolas cristãs (de catedrais e conventos) e posteriormente nas universidades. A Patrístia retorna a Filosofia platônica; a escolástica retorna a Filosofia aristotélica, nela encontrando seus fundamentos e os elementos necessários para seu desenvolvimento. Santo Tomás de Aquino elabora a síntese magistral do cristianismo com o aristotelismo, fornecendo as bases filosóficas para a teologia cristã: surge a Filosofia aristotélico-tomista. Compatibilizar a fé e a razão continua a ser o problema central da Filosofia escolástica.

FILOSOFOS IMPORTANTES
João Scoto Erígena. Santo Anselmo. Pedro Abelardo, Guilherme e Champeaux.
Escola de Chartres: Fulberto. Bernado. Teodorico. Gilberto de Poitiers. Guilherme de Conches, João de Salisbury. Oto de Freising. Al Farabi. Avicena. Averróis.
Escola de Oxford: Roberto Grosseteste. Roger Bacon. João Duns Escoto. Guilherme do Ockham. Boaventura. Alberto Magno. Santo Tomás de Aquino. Mestre Eckhart. Nicolau de Cusa.

IDADE MODERNA

PERÍODO DA FILOSOFIA
1. Renascimento: séc. XV e XVI

CONTEXTO HISTÓRICO
Transição do feudalismo para o capitalismo mercantil (séc. XV). Ascensão da burguesia e consolidação dos Estados Nacionais (séc. XVI); hegemonia espanhola (sob Carlos V e Felipe II); reinado progressista de Isabel I, na Inglaterra. Grandes invenções: bússola, pólvora, papel, gravura, imprensa. Descobrimento de outras rotas marítimas e de novos continentes. Apogeu do mercantilismo e implantação do sistema colonial. Desenvolvimento das ciências exatas e naturais; formulação do heliocentrismo (Copérnico). Reformas religiosas: luteranismo (Alemanha), calvinismo (França) e anglicanismo (Inglaterra). Renascimento na Itália e em outros países da Europa.

CARACTERISITICA DA FILOSOFIA
A Filosofia medieval se caracteriza por ser religiosa, dogmática, clerical e fundamentada no princípio da autoridade. A Filosofia moderna, por sua vez é profana, crítica, leiga e encontra na razão e na ciência seus pressupostos fundamentais. O Renascimento é marcado por uma profunda revolução antropocêntrica: durante esse período instaura-se uma polêmica contra o pensamento medieval (essencialmente teocêntrico), preparando o caminho para o pensamento moderno, para o qual a natureza física e o homem tornam-se o tema central. Revalorização da Antigüidade clássica (Filosofia greco-romana), buscada em suas fontes originais. Propõe-se um novo modelo de homem – considerado um microcosmo – e um novo modelo de Estado. Grande interesse pela epistemologia (teoria do conhecimento). Galileu propõe o método experimental, assentando as bases da ciência moderna.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Pomponazzi. Giordano Bruno. Campanella. Telessio. Erasmo de Roterdã. Bodin. Maquiavel. Thomas Morus. Montaigne.

PERÍODO DA FILOSOFIA
2. Racionalismo e empirismo: séc. XVII

CONTEXTO HISTÓRICO
Decadência política da Espanha e predomínio da França: consagração do poder absoluto dos reis, com Luís XIII e Richelieu até o apogeu com Luís XIV. Cromwell (Inglaterra). Desenvolvimento da literatura francesa: Corneille, Racine, Molière, La Fontaine (séc. XVII). Nas artes plásticas, aparecimento do estilo barroco. Fundação da física moderna: Kepler, Galileu, Newton, Gassendi e Boyle.

CARACTERISITICA DA FILOSOFIA
Formulação dos grandes sistemas filosóficos que traduzem o espírito dos novos tempos, agrupados em duas correntes divergentes: o racionalismo, quer privilegia as verdades da razão, e o empirismo, que destaca a validade do puramente fáctico, isto é, as impressões sensíveis com ponto de partida do conhecimento. Nesse período, a física (Newton) e a química (Lavoisier) se separam da filosofia.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Racionalismo: Descartes. Pascal. Malebranche. Spinoza. Leibiniz.
Empirismo: Francis Bacon. Hobbes. Locke. Berkeley. Hume.

PERÍODO DA FILOSOFIA
3. Iluminismo: século XVIII

CONTEXTO HISTÓRICO
O Antigo Regime, caracterizado pelo absolutismo, acede a um novo tipo de governo: despotismo esclarecido ou ilustrado – “tudo para o povo, mas sem o povo”. Principais representantes: Maria Tereza e José I (Áustria), Carlos III (Espanha), Frederico II (Prússia), Catarina II (Rússia), Pombal (Portugal). Na França, Luís XVI, derrotado durante a Revolução Francesa (1789). Liberalismo e revoluções burguesas. Revolução Industrial na Inglaterra em 1760 (máquina a vapor). Independência dos Estados Unidos (1776). Inconfidência Mineira (1789). Golpe do 18 Brunário e ascensão de Napoleão Bonaparte (1799). Consolidação do capitalismo industrial e liberal e formação do proletariado. Artes plásticas: barroco, rococó; literatura: início do romantismo.

CARACTERISTICA DA FILOSOFIA
Iluminismo: movimento filosófico, literário e político que visa combater o absolutismo, a influência da Igreja e da tradição, considerando a razão como o único meio para se atingir completa sabedoria. Dessa forma, as idéias modernas tomam fôlego e se expandem: a confiança na razão do século anterior é acompanhada agora por um crescente espírito crítico (racionalismo exacerbado – “luzes da razão” contra as “Trevas da ignorância”). Sonha-se com um homem universal e ideal que concilie natureza e razão, defensor dos direitos humanos e difusor da cultura. A biologia se separa da Filosofia.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Iluminismo inglês: Locke
Iluminismo francês: Bayle. D’Alembert. Diderot. La Metrie. Paul Henri Holbach. Helvetius. Condillac. Cabanis. Destutt de Tracy. Voltaire. Montesquieu. Rousseau.
Iluminismo alemão: Tomásio. Wolff. Frederico II. Reimarus. Mendelssohn. Lessing.
Idealismo e criticismo: Immanuel Kant.


IDADE CONTEMPORÂNEA

PERÍODO DA FILOSOFIA
2. Século XIX

cONTEXTO HISTÓRICO
Primeira metade do século: após a queda de Napoleão, em Waterloo (1815), surge a Restauração, movimento que pertende restabelecer o absolutismo. Independência do Brasil (1822).
Segunda metade do século XIX: na França, Luís Napoleão restabelece o império. Unificação italiana e alemã. Guerra franco-prussiana (1870-1871). Independência das colônias americanas e Guerra de Secessão nos Estados Unidos (1861). República Brasileira (1889). Incorporação de novas fontes de energia (eletricidade, petróleo), inovações técnicas; consolidação do capitalismo. Surgimento do socialismo. Literatura: romantismo, realismo, parnasianismo e simbolismo.

CARACTERISTICA DA FILOSOFIA
Valorização da ciência e extensão do método científico a outras disciplinas. Confiança no progresso indefinido – material e moral – da humanidade. As correntes filosóficas que predominam no período são o positivismo (muito próximo do âmbito científico) e o socialismo em todas as suas formas, no contexto da Filosofia política. Desdobramento do idealismo kantiano. A psicologia (Wundt) e a sociologia (Comte) se separam da Filosofia e se tornam ciências independentes, dando início à formação das ciências humanas.

FILOSOFOS IMPORTANTES
Idealismo: Fichte. Schelling. Shopenhauer. Hegel.
Positivismo: Comte. Taine. Stuart Mill. Spencer.
Evolucionismo: Darwin.
Pragmatismo: Wiliam James. Dewey. Pierce.
Socialismo: Saint-Simon. Fourier. Owen. Proudhon. Feuerbach. Marx. Engels.
Fenomenologia: Brentano. Husserl. Scheller. Hartmann.
Psicanálise: Freud.
Lingüística: Suassure.
Filósofos independentes: Kierkegard. Nietzsche.

PERÍODO FILOSOFICO
2. Século XX
CONTEXTO HISTORICO
Rivalidade entre potências européias devido às aspirações imperialistas; Paz Armada e alianças entre estados: Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Novas ideologias: comunismo, fascismo e nazismo. Quebra da Bolsa de Nova York (1929). Crises socioeconômicas, exacerbação nacionalista, sistemas de alianças e armamentismo: Segunda Guerra Mundial. Mudanças políticas e territoriais. Criação da ONU (1945). Guerra civil espanhola e ditadura de Franco (1939-1969). Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia. República Popular da China (1949). Descolonização da África e da Ásia e neocolonialismo. Revolução Cubana (1959). Desenvolvimento tecnológico e industrial: neocapitalismo e economia multinacional. Domínio norte-americano. Queda do Muro de Berlim e desagregação dos Estados socialistas. Ascensão e consolidação da economia japonesa. No Brasil: fim da República Velha e governo de Getúlio Vargas; Estado Novo (1937-1945); república populista (1945-1964); golpe militar de 1964; Nova República (1985).

CARACTERISTICA DA FILOSOFIA
Pluralidade de correntes filosóficas: neopositivismo, positivismo lógico, racionalismo transpositivista, fenomenologia, existencialismo, hermeneutia, filosofia da vida, neoescolástica, neokantismo, estruturalismo, escola de Frankfurt, aquerogenealogia, etc. Ciência como tema central dos filósofos. Destaque para a epistemologia (teoria do conhecimento).

PRINCIPAIS FILOSOFOS
Neopositivismo: Ayer. Wittgenstein. Russell.
Positivismo lógico (círculo de Viena): Schlick. Carnap. Popper. Nagel. Neurath. Reichenbach.
Racionalismo transpositivista: Brunschvicg. Koyré. Poincaré. Meyerson. Piaget. Bachelard. Kuhm. Fezerabend.
Linguistica: Jakobson. Hjelmslev.chomsky.
Fenomenologia: Merleau-Ponty. Martin Buber.
Existencialismo: Heidegger. Karl Jaspers. Jean-Paul Sartre. Albert Camus. Gabriel Marcel.
Hermenêutica: Paul Ricoeur. Gadamer.
Personalismo: Emanuel Mounier.
Filosofia da vida: Bergson, Blondel. Dilhey. Spengler.
Neoescolástica: Jacques Maritain. Garrigou-Lagrange.
Neokantismo: Ernest Cassirer.
Estruturalismo: Claude Lévi-Straus. Roland Barthes.
Marxismo: Gramsci, Georg Lukács. Lucien Goldman. Althusser.
Escola de Frankfurt: Horkheimer. Adorno. Habermas. Benjamin. Marcuse. Erich Fromm.
Arqueogenealogia: Focault. Deleuze. Guattari. Mafesoli.
Filósofos independentes: Teilhard de Chardin. Vladimir Jankélévitch.

História da Filosofia texto 1

Introdução

A palavra filosofia é de origem grega e significa amor à sabedoria. Ela surge desde o momento em que o homem começou a refletir sobre o funcionamento da vida e do universo, buscando uma solução para as grandes questões da existência humana. Os pensadores, inseridos num contexto histórico de sua época, buscaram diversos temas para reflexão. A Grécia Antiga é conhecida como o berço dos pensadores, sendo que os sophos ( sábios em grego ) buscaram formular, no século VI a.C., explicações racionais para tudo aquilo que era explicado, até então, através da mitologia.


Os Pré-Socráticos

Podemos afirmar que foi a primeira corrente de pensamento, surgida na Grécia Antiga por volta do século VI a.C. Os filósofos que viveram antes de Sócrates se preocupavam muito com o Universo e com os fenômenos da natureza. Buscavam explicar tudo através da razão e do conhecimento científico. Podemos citar, neste contexto, os físicos Tales de Mileto, Anaximandro e Heráclito. Pitágoras desenvolve seu pensamento defendendo a idéia de que tudo preexiste a alma, já que esta é imortal. Demócrito e Leucipo defendem a formação de todas as coisas, a partir da existência dos átomos.

Período Clássico

Os séculos V e IV a.C. na Grécia Antiga foram de grande desenvolvimento cultural e científico. O esplendor de cidades como Atenas, e seu sistema político democrático, proporcionou o terreno propício para o desenvolvimento do pensamento. É a época dos sofistas e do grande pensador Sócrates.

Os sofistas, entre eles Górgias, Leontinos e Abdera, defendiam uma educação, cujo objetivo máximo seria a formação de um cidadão pleno, preparado para atuar politicamente para o crescimento da cidade. Dentro desta proposta pedagógica, os jovens deveriam ser preparados para falar bem ( retórica ), pensar e manifestar suas qualidades artísticas.

Sócrates começa a pensar e refletir sobre o homem, buscando entender o funcionamento do Universo dentro de uma concepção científica. Para ele, a verdade está ligada ao bem moral do ser humano. Ele não deixou textos ou outros documentos, desta forma, só podemos conhecer as idéias de Sócrates através dos relatos deixados por Platão.

Platão foi discípulo de Sócrates e defendia que as idéias formavam o foco do conhecimento intelectual. Os pensadores teriam a função de entender o mundo da realidade, separando-o das aparências.

Outro grande sábio desta época foi Aristóteles que desenvolveu os estudos de Platão e Sócrates. Foi Aristóteles quem desenvolveu a lógica dedutiva clássica, como forma de chegar ao conhecimento científico. A sistematização e os métodos devem ser desenvolvidos para se chegar ao conhecimento pretendido, partindo sempre dos conceitos gerais para os específicos.

Período Pós-Socrático

Está época vai do final do período clássico (320 a.C.) até o começo da Era Cristã, dentro de um contexto histórico que representa o final da hegemonia política e militar da Grécia.

Ceticismo: de acordo com os pensadores céticos, a dúvida deve estar sempre presente, pois o ser humano não consegue conhecer nada de forma exata e segura.
Epicurismo: os epicuristas, seguidores do pensador Epicuro, defendiam que o bem era originário da prática da virtude. O corpo e a alma não deveriam sofrer para, desta forma, chegar-se ao prazer.
Estoicismo: os sábios estóicos como, por exemplo Marco Aurélio e Sêneca, defendiam a razão a qualquer preço. Os fenômenos exteriores a vida deviam ser deixados de lado, como a emoção, o prazer e o sofrimento.

Pensamento Medieval

O pensamento na Idade Média foi muito influenciado pela Igreja Católica Desta forma, o teocentrismo acabou por definir as formas de sentir, ver e também pensar durante o período medieval. De acordo com Santo Agostinho, importante teólogo romano, o conhecimento e as idéias eram de origem divina. As verdades sobre o mundo e sobre todas as coisas deviam ser buscadas nas palavras de Deus.

Porém, a partir do século V até o século XIII, uma nova linha de pensamento ganha importância na Europa. Surge a escolástica, conjunto de idéias que visava unir a fé com o pensamento racional de Platão e Aristóteles. O principal representante desta linha de pensamento foi Santo Tomás de Aquino.

Pensamento Filosófico Moderno

Com o Renascimento Cultural e Científico, o surgimento da burguesia e o fim da Idade Média, as formas de pensar sobre o mundo e o Universo ganham novos rumos. A definição de conhecimento deixa de ser religiosa para entrar num âmbito racional e científico. O teocentrismo é deixado de lado e entre em cena o antropocentrismo ( homem no centro do Universo ). Neste contexto, René Descartes cria o cartesianismo, privilegiando a razão e considerando-a base de todo conhecimento.

A burguesia, camada social em crescimento econômico e político, tem seus ideais representados no empirismo e no idealismo.
No século XVII, o pesquisador e sábio inglês Francis Bacon cria um método experimental, conhecido como empirismo. Neste mesmo sentido, desenvolvem seus pensamentos Thomas Hobbes e John Locke.

O iluminismo surge em pleno século das Luzes, o século XVIII. A experiência, a razão e o método científico passam a ser as únicas formas de obtenção do conhecimento. Este, a única forma de tirar o homem das trevas da ignorância. Podemos citar, nesta época, os pensadores Immanuel Kant, Friedrich Hegel, Montesquieu, Diderot, D'Alembert e Rosseau.

O século XIX é marcado pelo positivismo de Auguste Comte. O ideal de uma sociedade baseada na ordem e progresso influencia nas formas de refletir sobre as coisas. O fato histórico deve falar por si próprio e o método científico, controlado e medido, deve ser a única forma de se chegar ao conhecimento.

Neste mesmo século, Karl Marx utiliza o método dialético para desenvolver sua teoria marxista. Através do materialismo histórico, Marx propõe entender o funcionamento da sociedade para poder modificá-la. Através de uma revolução proletária, a burguesia seria retirada do controle dos bens de produção que seriam controlados pelos trabalhadores.

Ainda neste contexto, Friedrich Nietzsche, faz duras críticas aos valores tradicionais da sociedade, representados pelo cristianismo e pela cultura ocidental. O pensamento, para libertar, deve ser livre de qualquer forma de controle moral ou cultural.

Época Contemporânea

Durante o século XX várias correntes de pensamentos agiram ao mesmo tempo. As releituras do marxismo e novas propostas surgem a partir de Antonio Gramsci, Henri Lefebvre, Michel Foucault, Louis Althusser e Gyorgy Lukács. A antropologia ganha importância e influencia o pensamento do período, graças aos estudos de Claude Lévi-Strauss. A fenomenologia, descrição das coisas percebidas pela consciência humana, tem seu maior representante em Edmund Husserl. A existência humana ganha importância nas reflexões de Jean-Paul Sartre, o criador do existencialismo.

Onde e em que trabalham os filosofos?

Texto 1
A área de Filosofia é farta em relação à empregos?
Estou no segundo período de filosofia e gostaria de saber se a área de empregos de filosofia é boa e farta de empregos ou se devo mudar para história?
Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta
Com o bacharelado, vc já deve saber, é possível dar aula de História, Psicologia e Filosofia mesmo em colégios, quer dizer, para primeiro e segundo graus (a menos que as regras do jogo já tenham sido mudadas pelo MEC). Se vc quiser tentar esse nicho, começa logo a fazer aquelas disciplinas de Pedagogia para ter a Licenciatura (que é o bacharelado com um pouco de Piaget e toda aquela gataria da faculdade de Pedagogia para fazer amizade). Com o Mestrado, já dá para tentar uma vaga como professora adjunta, o importante é nunca parar de estudar, mas vc só vai ganhar mais como professora universitária do que como docente de ensino médio num colégio para VIP, quando chegar a titular.

Agora, se vc gosta de escrever, p. ex., a Filosofia vai ampliar muito as tuas possibilidades. Publicar livros com teses; ficções com fundo filosófico; crítica literária abordando a discussão filosófica de fundo; crítica de cinema, de teatro, crítica política.

Filosofia, infelizmente, é para quem já tem grana, apesar de que a Internet democratiza isso bastante, pq vc pode fazer pesquisas on-line sobre Aristóteles, p.ex., q seriam muito caras se fosse comprar os livros, todos importados e em francês (até algum tempo atrás). E é melhor ainda se vc nem precisa de grana, quer só curtir o curso e as disciplinas, aí nada se compara.

Outra coisa: todas aquelas funções do Sofista (advogado, Diplomata, político, orador) vc vai conseguir desenvolver muito melhor com o bacharelado em Filosofia e o q mais for pedido, em cada área. Mas guarda isso: fazer as disciplinas de licenciatura ajudam muito a muita gente no começo.

Um abraço e boa sorte.
Fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060925061827AAOBL44
Texto 2
Mercado da Filosofia está em crescimento
Nos dias de hoje, basta abrirmos os jornais, revistas ou ligarmos a televisão para termos um contato com a palavra "ética". Para algumas pessoas esta palavra tem um significado muito importante, que o digam os filósofos. Para outros, como muitos políticos, um verdadeiro palavrão. O filósofo é o profissional que melhor define a ética. Esse exemplo mostra como a filosofia faz parte do nosso dia a dia e está integrada à sociedade e não percebemos.
No curso de Filosofia, o universitário aprende a conhecer todas as questões levantadas pelos grandes pensadores, alimentando a sua própria reflexão. São quatro anos de estudos e o estágio é obrigatório para as disciplinas pedagógicas. O estudo filosófico tem a intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de aprendê-la na sua amplitude, buscando conceitos e classificações.
O filósofo está sempre pensando e avaliando a justiça, a correção e todos os valores considerados universais. Ele não tem um objeto de estudo único. Ele investiga e questiona profundamente o ser, a sua natureza, sua essência e se fim. Na busca de respostas a suas questões cruciais, o homem se volta para a religião, o esoterismo ou para algum ramo da ciência, entre outros caminhos. Se escolher o campo científico, terá várias opções a seguir, da antropologia à física, que tratam do assunto a partir de conceitos próprios e específicos. Se preferir uma resposta ampla, complexa a ponto de abarracar várias possibilidades ao mesmo tempo, a trilha vai o levar a Filosofia.
À primeira vista, a Filosofia pode parecer uma disciplina de sonhadores. Para seguir esta carreira, é preciso sentir uma forte inquietação sobre o destino dos homens, seja ela existencial, ética ou política. Já no século IV a.C., o filósofo Platão afirmava: 'A Filosofia começa com o espanto'.
O filósofo é, portanto, alguém que não se contenta com a aparência das coisas, que duvida e questiona sempre. Essa inquietação pode levar o filósofo, às vezes, a uma busca interminável. Ler, estudar, questionar, duvidar, debater, pensar, levantar problemas e propor soluções serão suas atividades constantes. ''A única dificuldade na formação do estudante de filosofia é a falta de leitura'', diz a professora e chefe do departamento de Filosofia da USP, Olegária Chaim Cerez Matos.
A diferença entre o filósofo dos pesquisadores de outras áreas humanísticas é que ele deixa aspectos específicos de lado, buscando a universalidade das questões, analisando um tema desde a sua mais íntima individualidade até a sua absoluta exterioridade, pensando na humanidade como um todo. No passado, a Filosofia chegou a ser chamado de ''a ciência de todas as coisas'', por lidar com a totalidade do conhecimento. Ao longo dos anos, essas áreas se originaram a outras ciências.
Atualmente, ela se volta para o estudo de quatro áreas básicas. A primeira desenvolve pesquisas de Filosofia da Ciência, Lógica e Teoria do Conhecimento. A segunda vertente concentra seus estudos a questões ligadas à Ética e à Filosofia Política. Por terceiro, assuntos relacionados à arte, cultura ou a linguagem, terá na Estética da Arte, na História da Arte e na Linguística um campo de pesquisa. Por último, é possível estudar a própria História da Filosofia, investigando a trajetória de um conceito ou de uma idéia através da história.
O principal material de pesquisa do filósofo serão as teorias que os outros filósofos escreveram e os textos que comentam estas teorias. Após o curso universitário, o recém-formado poderá lecionar no ensino médio, uma área em expansão para o profissional. No mercado atual tem crescido o interesse de agências de publicidade pela contratação de filósofos, por terem conhecimentos que ajudam a entender os anseios das pessoas.
Outra opção é a pós-graduação que, além de permitir o desenvolvimento de pesquisa, que o capacitará a lecionar no ensino superior.
Como pesquisador, estará habilitado para se aprofundar em qualquer área das ciências humanas. Poderá ainda trabalhar em qualquer área das ciências humanas, além de redações de jornais e revistas, escrevendo artigos sobre cultura, sociedade ou história. O filósofo, também poderá exercer a função de crítico de arte e cultura, dar assistência a sindicatos e empresas, além de atuar em museus e centros culturais.
Tramita desde o final do ano passado no Congresso Nacional um projeto de lei que torna a disciplina de Filosofia obrigatória no ensino médio (antigo 2º grau), das escolas públicas e particulares, até então considerada optativa. Para o professor Franklim Leopoldo e Silva, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com a aprovação desta lei, o mercado de trabalho para os filósofos tende a ter um crescimento importante. ''As perspectivas profissionais são para o magistério universitário e de ensino fundamental. Com a aprovação da lei isso vai ter um grande impacto no ramo profissional'', disse o professor.
A disciplina de filosofia deixou de ser obrigatória em 1964, no 2º grau (atual ensino fundamental) das escolas públicas e particulares. Nos anos 80 foi optativa e perdeu o lugar no currículo escolar até os dias de hoje.
Com a diversificação do mercado, aquecido pela informática, os filósofos estão deixando o papel coadjuvante exercido por vários anos, numa tentativa de, quem sabe, responder aos anseios da sociedade, no novo milênio. Essa aproximação entre o saber e a sociedade pode ser medida, por exemplo, pelo sucesso de livros como O Mundo de Sofia, levando variadas questões filosóficas ao grande público, ou pela realização dos cafés filosóficos - em alta nas livrarias e centros culturais das principais cidades do país.
A idéia do café filosófico veio da França, e se tornou mania no Brasil, no final dos anos 90. ''Reunir pessoas em livrarias e cafés para debater questões atuais e relativas a produção cultural contemporânea, além de ética e política, corresponde em suprir a necessidade das pessoas'', finaliza o professor Fraklim Leopoldo e Silva da USP.
Onde estudar:
Universidade Estadual Paulista (Unesp) - SP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - SP, Instituto Metodista de Ensino Superior - SP, Universidade São Judas Tadeu - SP, Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp) - SP, Universidade de Sorocaba (Unisco) - SP, Universidade de São Paulo (USP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

(Diário Popular)
Fonte: http://www2.uol.com.br/aprendiz/guiadeempregos/estagios/info/artigos_080801.htm

Texto 3
Filósofos, para quê?



"Ce que l'on peut reprocher à la philosophie
c'est qu'elle ne sert à rien, cependant
qu'elle fait penser quelle peut servir à tout
et en tout.
D'ou l'on peut concevoir deux modes de
Réforme Philosophique: l'un, qui serait de
prevenir qu'elle ne servira de rien; ― et ce
sera la diriger vers l'état d'un art et lui en
donner toutes les libertés ainsi que les gênes
formelles ― l'autre qui serait, au contraire,
de la presser d'être utilisable et d' essayer
de la rendre telle, en en recherchant les
conditions.
Mais il faut, avant de prendre un parti ou
L'autre, se figurer bien nettement ce que
L'on entend par servir et par utilité."
P. Valéry, Cahiers-I, p. 650

1. O recente debate sobre a reestruturação dos Cursos de Letras corre o risco de conduzir mais a ocultação dos problemas do que à sua resolução ou, pelo menos ― é isso que se deve exigir de um debate ― à sua expressão. As peças produzidas são, em geral, um alarmante sinal de tal fenómeno. A excepção, a única excepção, foi o excelente e oportuno texto de Eduardo Prado Coelho, intitulado "A invasão dos pedagogos" (Expresso ― a revista, 14.2.87).
Defendiam-se nesse texto duas ideias que é importante reter e desenvolver: a de que se deve assumir a inutilidade do ensino das Letras e, ao mesmo tempo, defender o valor formativo de tal inutilidade; e a de que é necessário transformar este ensino no sentido de o tornar sensível, acolhedor ao que de fundamental, no domínio das "linguagens e sensibilidades", anima e define a nossa contemporaneidade. O caso da filosofia é apenas, no debate em curso, um dos aspectos da problemática do ensino das Letras; mas talvez seja aquele em que estas ideias mais justificam discussão e análise.
2. Tomando a noção de útil no sentido de "prático", "aplicável", "eficaz", a filosofia é sem dúvida um saber, uma actividade, inútil, ou melhor, utilizando uma bela sugestão de Valéry, frágil. E no entanto ― ponto que é decisivo ― a força dessa fragilidade marcou épocas, talhou teorias; suscitou visões do mundo; criou conceitos, articulou saberes, inventou mundos. A filosofia foi sempre uma actividade que se singularizou pelos imensos efeitos da sua ausência de utilidade.
Para que a pergunta "filósofos, para quê?" tenha sentido, é preciso começar por recusar todas as respostas arcaicas sobre o que é a filosofia, que o mesmo é dizer todas aquelas que supõem que uma tal pergunta não tem nada a ver com o tezes milenar, reeditar com as protocolares reticências um velho e conhecido jogo de cúmplices: "a filosofia é...".
É que não é, e há muito tempo. Foi, é e pode ser: ela vive na agitada, plural dispersão de vários registos, nomeadamente o da tradição e o da prospecção, o do passado e o do futuro. Não que a filosofia não tenha presente, a situação é outra: é como se o presente não lhe chegasse e ela não chegasse ao presente. Sempre lá, mas incapaz de ficar, a filosofia aparece assim como uma disciplina imprecisa, insustentável: demasiado vasta ou demasiado restrita, exageradamente técnica ou exageradamente literária, ela não tem domínio nem método que a caracterizem, ou tem de mais.
3. Se do passado ela procura a lógica, do futuro ela tece a estratégia, perscruta os sinais. Mas num como no outro desses esforços (que são também duas poses e podem ser dois estilos) ela pode formular, a cada momento, os seus problemas. E neles, e na argumentação com que os pensa, encontrar a legitimação do seu trabalho. Legitimação que, de índole prática ou de matriz teórica, é sempre, no limite, auto-legitimação. É nesta imanência, que é também a de um presente sempre precário, sempre insuficiente, que se joga o destino sem futuro certo das filosofias.
Por outro lado, o ensino da filosofia move-se geralmente num corredor estreito, entre o descritivismo e o doutrinarismo: em ambos os casos, se procura uma filiação impossível, a da filosofia no paradigma da utilidade. No primeiro conta-se uma longa, demasiado longa história, que habitualmente começa nos pré-socráticos e acaba onde calha, pretendendo assimilar-se a sucessão dos filósofos a uma narrativa da progressiva história da civilização e da humanidade. No segundo privilegia-se a irradiação de certas teses em determinados contextos, anulando-se os problemas que as suscitaram na promoção "dogmática" das soluções propostas. Comum às duas abordagens é a estratégia que as anima: a da redução da filosofia à história da filosofia.
4. É preciso que se entenda: uma coisa é a filosofia, outra a história da filosofia: e o facto de a filosofia não possuir objectos específicos não transforma a tradição no seu território. Para a filosofia, a história da filosofia pode funcionar como esclarecimento informação relativamente aos seus problemas actuais; para a história da filosofia, a filosofia pode ser um elemento de reactivação e de reformulação de problemas "tradicionais". Em rigor, o estudo estritamente histórico da história da filosofia não tem, a ser possível, necessariamente nada a ver com a filosofia.
Mas se a filosofia não é a história da filosofia, ela também não é um acréscimo, um suplemento de tipo reflexivo, das várias disciplinas ou saberes. Os tempos recentes mostram mesmo que as diversas disciplinas ― a arte, as ciências (a física, a biologia), as teorias literárias ― produzem cada vez mais os seus próprios meta-saberes, exigindo assim uma outra relação com o campo filosófico (do que, infelizmente, às vezes os filósofos são os últimos a dar-se conta).
5. Há duas posições que, assim, são vitais para a filosofia: não se identificar (num esgotamento, numa senilidade talvez precoce) com a sua própria história; não se acantonar numa posição reflexiva (seja fundamentalista, seja epistemológica) face. aos outros saberes e disciplinas. Só assim a filosofia pode desenvolver uma criatividade própria, não-parasitária, que é uma criatividade problemática: a actualidade da filosofia não reside hoje, como não residiu nunca, na sua utilidade, mas na sua capacidade para propor e desenvolver problematizações heuristicamente interessantes sobre o mundo, os saberes, os acontecimentos.
Se a "missão" da filosofia deve ser, como defendia Russell, desenvolver a imaginação, é por esse ousado desenvolvimento que passa também o problema da "saída" profissional dos filósofos. Talvez a leitura de uns extractos do artigo "Philosophy comes down from the clouds", publicado pelo Economist, possa ser, neste aspecto, de alguma ajuda, de algum estímulo: "Desde 423 a.C., data em que Aristófanes caricaturou Sócrates e a sua lógica em As Nuvens, os filósofos não pararam de nos divertir. Hoje, parecem desempenhar outras funções. Subitamente, entraram no mundo do trabalho. Uns, como nos hospitais do Estado de New York, aconselham os médicos nas suas decisões vitais. Outros aconselham o corpo legislativo do Estado de New Hampshire, outros ainda as autoridades penitenciárias do Connectitut. Debruçam-se também sobre os problemas postos pelo controlo dos detritos nucleares e pela engenharia genética.
O próprio Congresso conta no seu seio com quatro filósofos que ajudam os senadores a resolver as questões mais espinhosas (...) As ligações criadas na Universidade perduram na vida activa. Os títulos das revistas universitárias são reveladores: Philosophy and Public Affairs (Princeton) ou Journal of Applled Philosophy (Univ. de Surrey), assim como os de alguns centros de estudos, como os de 'deontologia profissional' no Instituto de Tecnologia de Illionois ou o de 'filosofia e de política' na Universidade de Maryland.
Em torno destes centros, multiplicam-se os cursos e as conferências. Nos anos setenta, houve trezentos e vinte e dois cursos e conferências sobre a ética comercial nas Universidades e nos "colleges" americanos. Citemos o exemplo da Escola Superior de Comércio de Harvard, onde os filósofos falam de poluição, de direitos dos trabalhadores, da ética do comércio internacional. Seria um erro pensar que os filósofos se contentam em aproveitar esta espécie de mercado de luxo que representa a ética. Os seus estudantes acham que uma formação em Filosofia Analítica constitui um excelente trunfo no comércio, e este sucesso recai sobre os professores que ensinam a mais singular das disciplinas universitárias. Com excepção dos estudantes em Matemáticas, os estudantes em Filosofia são aqueles que mais sucesso têm nos exames de acesso às escolas de comércio e gestão. Mesmo mais do que os que estudam Economia, Comércio ou qualquer outra matéria própria à sua profissão. Entre 1964 e 1982, ultrapassaram a percentagem média de admissão nas grandes escolas especializadas em pelo menos 5%. Nenhuma outra disciplina realizou alguma vez um tal score.
Estes resultados verificam-se ao nível do emprego: em 1983, 11% dos doutores em Filosofia encontraram emprego no comércio ou na indústria (...) E os salários dos doutores em Filosofia são muito superiores aos salários médios dos doutores em Ciências Humanas. Os filósofos tem mais chances de encontrar um emprego do que os químicos ou os biólogos, que geralmente se consideram particularmente aptos para a vida activa. E nos escritórios dos advogados, a sua obsessão pela argumentação vale aos filósofos a reputação de excelentes juristas (...)"[1]

Manuel Maria Carrilho

[1] Chamo a atenção para o texto de E. Holenstein, "Novas perspectivas profissionais para os filósofos?" (JL, 23.2.87), onde se dá conta da colaboracão de filósofos com investigadores da "Cognitive Science" na Alemanha, particularmente na Univ. de Bochum.

Jornal de Letras, n.º 245 de 16 de Março de 1987

Fonte: http://www.filedu.com/mcarrilhofilosofosparaque.html

Trabalhos do primeiro bimestre

Trabalhos do 1º bimestre

1º ano

Trabalho em grupo ( até 4 pessoas): Pesquisa sobre a história da filosofia
Siga o Esquema da pagina 19 a 25

Filosofia antiga: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_greco-romana
Filosofia medieval: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_medieval
Filosofia moderna: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_moderna
Filosofia contemporânea: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_do_s%C3%A9culo_XX

Trabalho individual: Pesquise a vida de um desses filósofos: Sócrates, Platão, Aristóteles, Locke e Kant
Siga o Esquema da pagina 24 e 25

Sócrates: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates
Platão: http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
Aristóteles: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
Locke: http://pt.wikipedia.org/wiki/Locke
Kant: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kant

2º ano

Trabalho em Grupo (até 4 pessoas): pesquise as idéias sobre ética destes filósofos: Sócrates, Aristóteles, Epicuro e Kant.
Tem que ter uma conclusão do grupo

Sócrates:http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates
Aristóteles: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
Epicuro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Epicuro
Kant: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kant

Trabalho individual: Faça uma dissertação sobre o tema:
Em que devo confiar para guiar minhas ações: na razão ou na emoção.

Esquema para dissertação:
1º parágrafo :Introdução: sobre o que você vai escrever e qual a sua ideia sobre o assunto?
2º parágrafo: apresente uma ideia que confirme o que você está escrevendo.
3º parágrafo: apresente outra ideia que confirme o que você escreveu até agora.
4º parágrafo: acrescente o que falta para que as pessoas não tenham dúvida sobre o que você escreveu.
5º parágrafo : Conclusão: sobre o que mesmo você escreveu? Que tal reapresentar as ideias centrais de maneira resumida?


3º ano

Trabalho em grupo (até 4 pessoas): pesquise onde e em que trabalham os filosofos?
Tem que ter uma conclusão do grupo.

Trabalho individual:
Faça uma dissertação sobre o tema: Filosofia e preconceito: como enfrentar o preconceito?
Esquema para dissertação:
1º parágrafo :Introdução: sobre o que você vai escrever e qual a sua ideia sobre o assunto?
2º parágrafo: apresente uma ideia que confirme o que você está escrevendo.
3º parágrafo: apresente outra ideia que confirme o que você escreveu até agora.
4º parágrafo: acrescente o que falta para que as pessoas não tenham dúvida sobre o que você escreveu.
5º parágrafo : Conclusão: sobre o que mesmo você escreveu? Que tal reapresentar as ideias centrais de maneira resumida?

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